Quem sou eu

Distante da inveja, a ambição é uma busca desenfreada que prescisa de medidas calculadas. A fome e o desejo do saber, a curiosidade do novo e do instigante, agigantam a ambição intelectual. O saber mais, não do que os outros, mas de si mesmo, remete a uma auto-reavaliação de conceitos. Procurar respostas para perguntas que só nós mesmos temos não é um ato fácil. São difíceis resoluções, falsas ou verossímeis até a certeza de que achamos algo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Joelhos sujos, certeza de castigo

   
     ― Olha menino, se as cinco horas você chegar em casa com os joelhos da calça sujos, fica uma hora de castigo!
Essa era a resposta da minha vó, quando ia pra escola, pedia a benção e dava tchau. Eu já sabia que se chegasse em casa sujo iria ficar de castigo, de joelhos, mas também já sabia que iria ficar de castigo, pois não me aguentava. Sabia que o castigo não era por maldade, mas sim, servia como ensinamento. Nunca aprendia.
     Lá no colégio, eu e meus amigos brincávamos de escorrega. A única regra era, derrubar o outro como se estivesse escorregando em água com sabão. O local era o pátio de entrada do colégio, uma estátua de uma santa, muito bonita por sinal, enfeitava o lugar, piso vermelho, lustradíssimo, víamos os nossos reflexos nele. Todos os dias, às três horas da tarde, estávamos lá, em fila, com os nossos sapatos com o solados lisinhos. Divertíamos muito. Ganhava quem derrubasse mais os outros. Ganhei algumas vezes. O vencedor era o assunto durante a aula.
     Quando retornava para casa, minha vó, estava na calçada, me esperando, olhava logo para a minha calça:
     ― Vamos menino, troque a roupa e fique uma hora de castigo!
    ― Mais Mãedite! - era como eu me dirigia à vó ― eu sujei porque estava brincando como os meninos...
     ― Não quero saber. Uma hora, e se falar mais um pio, ganha mais trinta minutos.
     Era sagrado, todos os dias. Já estava acostumado. Levava até uma revista da Turma da Mônica para passar o tempo:
     ― Posso me levantar para pegar outra revista? Quero a do Cascão!
     ― Não! Eu pego, fique aí onde está.
     E lá vinha ela me trazendo uma da Magali. Tinha tanta certeza do castigo que já me preparava psicologicamente.
     Preferia começar ficar de joelhos, quando o ponteiro grande do relógio estava no seis, a hora passava mais rápido. Trinta mais trinta.
     Sempre que faltavam quinze minutos para o fim, a Mãedite começava uma ladainha:
     ― Meu filho não faça mais isso, sujando a sua roupa. Sai de casa tão limpinho e chega parecendo um porco. Neto meu não anda sujo. Ainda por cima tenho que lavar sua calça todo dia, gasta água. Saia, saia do castigos e venha merendar.
     Fazíamos as pazes. No outro dia, estávamos de novo na mesma situação, eu de joelhos e ela pronunciando sua ladainha. De segunda à sexta.




25.outubro.2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Número 1

As vezes as coisas devem começar pelo final. Nada de rodeios, a objetividade, as vezes, é mais necessária do que o flerte e a subjetividade. A vida alia-se a imprevisibilidade, deixando o tempo a ver navios, chorando pelo leite derramado. Ela, a vida é superior, te deixa estático aos acontecimentos.


15.setembro.2010

Número 2

É pequenina demais, parece uma boneca de porcelana, branca e linda. Usa roupas coloridas que alegram os meus dias cinzentos. A cada micro-século que passamos juntos, me encanto mais e mais. Não sei se devo, mas me encanto mais e mais. Já tem muito dos meus sonhos realizados: Portugal, Alemanha, Áustria, Itália, Turquia. Meu Deus o que é isso? Tem explicação? Tão pequenina e gigante ao mesmo tempo. Apesar de falar grego, me ensina alemão aos poucos. Fico abismado, como já disse em outro papal, a vida me deixou estático à esse acontecimento repentino. Como uma pequenina assim, consegui guardar o presente, para ser admirado no futuro? Lindo. Linda. Singela. Uma flor. Frágil aventureira. Meu Deus é possível, do nada nascer a esperança? Sim ou não não importam, é só fazer como ela, guardar o presente.



 




17.setembro.2010

Número 3

Tenho medo de apostar e perder o que já tenho. Tenho medo do tempo passar e não fazer nada e depois chorar de decepção própria. Estou num beco sem saída. Entre a cruz e a espada.








22.setembro.2010


Número 4

Ah flor, estou me segurando pra não te falar meus sentimentos. Estou sofrendo por te ver todos os dias e não poder te abraçar e te beijar. Mas o medo de que nos afastemos me prende. Já nem sei o que fazer. Como é poderoso o Colpo de Fulmine. Me deixou estático aos acontecimentos. Flor, me seguro. De verdade. Sei que não tenho chance alguma, mas quero tentar. Tenho medo da sua reação. Quero muito tentar, mas não sei como flor.







22.setembro.2010

Número 5

Me desprendi e comecei a correr sem esbarrar em nada. Mas uma quarta destas, com muito sol, esbarro num jardim, fiquei estático. Já durmo há alguns dias nas suas brilhantes relvas verdes, rodeado por flores.







22.setembro.2010

Rascunho

As palavras e os pensamentos e os desejos já não são os mesmos. Palavras são instrumentos fonológicos, pensamentos coisas irreais e desejos... Bem desejos são tudo o que queremos ter. Tudo o que eu quero ter. Ser morto por espinhos de uma rosa negra. A tentação do paraíso. A queda do rei. Não sei se é mesmo isso que quero. Não, não é nada disso. Passado. Indubitavelmente passado. Minhas palavras hoje, glorificam meu ser, meus pensamentos permeiam o futuro e os desejos realizaram meus sonhos.








02.setembro.2010

Saudade do início ou conformidade presente

É como se eu tivesse rompido a barreira do infinito. Como se meu corpo não  aguentasse mais tanto bem querer. Agora sofro por amá-la como dantes, as horas passam devagar e sofridas. Sem fervor como no princípio.
Só quero ter coragem para dizer acabou, mas não imaginaria como é sofrível. E ainda tem o pecado me atentando, pois meu anjo terrestre está convergindo com minha realidade.




28.novembro.2009

sábado, 4 de setembro de 2010

Viagem à Hidrolândia

Imprevissibilidades

Tudo estava planejado, uma viagem tranqüila,estradas boas e bem sinalizadas, a chegada receptiva à Hidrolândia ainda pela manhã...
Até chegarmos à Canindé, terra abençoada, santa. Um pequeno acidente nos consome 5 preciosas horas. Muitas coisas, restaurante d'Oquinha, delegacia pública do município, botequim de um homem que fumava muito. A cidade é tão calma que nem delegado tem.
Perguntei ao escrivão da delegacia, que estava tirando uma pestana na rede, se poderia ir ao banheiro, a sua resposta foi direta: pode sim amigo, só não abra o portão dos presos se não eles fogem.
- Ah, opa, certo meu senhor. Não quero soltar ninguém.
Tudo era tão precário que tive que passar a rua para lavar as mãos no botequim do homem do cigarro, muito elegante por sinal, ele só deu-me uma sentença: Tire a tampinha. Tampinha, tampinha? ah sim, tampinha da pia, certo meu senhor.
Lá pelas 3 da tarde, saimos de Canindé, passamos por mais algumas cidades, até que as 5 da tarde, depois de uma viagem totalmente diferente, chegamos ao nosso tão sonhado destino, Hidrolândia de uma igrejinha rosa muito linda, pena não poder usufruir da religiosidade da cidade.
Deixa pra próxima, espero não precisar pedir pra ir ao banheiro na delegacia novamente.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Gênios


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A uma garota de seis anos


    Sofro com lembranças que não são minhas, sofro por coisas que não fiz. Mas o passado já ficou para trás. Agora quero viver a realização dos meus sonhos. Quero apenas a realidade, o hoje e o amanhã.
    Preciso navegar em um barco de estrelas que se torne alado e que voe pelo céu da sua boca. Talvez eu precise parar de derramar Lágrimas no mar e começar a deixar o sol refletir nos meus olhos. Vou sorrir ate soluçar. Vou transformar seu minuto em nosso segundo. Vou te amar.
    Só tenho uma certeza, nunca mais lutarei sozinho. Chega de chorar, chega, acabou. Sei que a existência é feita de planos e os meus são os mais simples de serem realizados. Apenas quero ser feliz. Não quero mais acordar com dores encefálicas. Já consegui até sair da letargia que me dominava. Chega! Estou cansado de não vencer. Agora é a hora, chegou a minha vez. Vou quebrar a cúpula de vidro que me cerca. Não nasci para ser protegido, nasci para ser protetor.



                                                                                                                                                                                              J. Manoel Queiróz
                                                                                                                                                                                                  12.XI.2008

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Non plus ultra!

Mesmo sabendo que a vida acaba e que somos apenas passageiros nessa existência, tento , de todas as formas, viver o máximo possível.
Imerso em fantasias, procuro, em todos os sentidos e direções, encontrar a minha paz.
Chego a ficar horas olhando o horizonte deixando o sol avermelhar minha face.
Horizonte de esperanças; esperança de um dia encontrar um outro alguem que também esteja à procura da felicidade.
Entretanto, pergunto-me se existe mesmo a felicidade, se estou em um sacrilégio eterno, se isso tudo valerá a pena.
Logo penso que, após disto, após do horizonte celeste deva existir mesmo o meu tesouro.
Lembro-me de estar nesta vida, mas pensando em um futuro, em um lugar incerto, mas um futuro melhor que o presente.
E esse meu pensamento de um dia encontrar um lugar melhor, onde haja paz é o que me faz viver hoje.

                                                                                     J. Manoel Queiróz

Fracasso


Vem agora, vem me mata, realiza teu maior anseio, tira-me o que Deus me deu.
Coragem. Enfia essa faca em meu peito, esgana-me, destrói-me.
Anda, estou sem forças, sem luz verde, sem meu porto.
Essa é a hora.
Dança na minha dor.
Vamos! Covarde, você nunca conseguirá, nunca levantará a mão para quem tanto te acolheu.
Somos unha e carne, céu e estrelas.
Dependemos um do outro, mate-me que também começará a desmoronar como minha vida.
Não és nada para mim, apenas um reles verme de meu baú.
Agora nada mais importa.








J. Manoel Queiroz
01.setembro.2009